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Guga Szabzon na Galeria Transversal

A artista plástica que aos 24 anos já vive o reconhecimento de seu trabalho -com obras que brincam com os limites do espaço por meio de materiais como linha, agulha e borracha, a redesenhar fronteiras geográficas ou criar mapas imaginários-. transforma sua primeira individual na Galeria Transversal numa ação que pretende questionar, de forma bem-humorada, as apostas do mercado de arte

O nome dela é Guga Szabzon: artista plástica, 24 anos, ainda nem teve sua primeira exposição individual na vida, mas já recebeu algum dinheiro como pagamento por suas obras - entre elas, um enorme mapa imaginário bordado com linhas coloridas sobre papel manteiga e exibido pelo avesso - e tem muito a dizer. No aquecido mercado de artes brasileiro, que fechou 2011 numa escala vertiginosa de crescimento, valores não assustam, mas para Guga o porquê do interesse pelo seu trabalho a fez transformar sua primeira individual na Galeria Transversal em raspadinhas. Este é o nome do projeto com o qual Guga vai ocupar os 200m2 da Galeria Transversal, de 11 a 18 de fevereiro. Em "Raspadinha", concebido em parceria com a crítica de arte Thais Rivitti, cerca de 200 trabalhos, em tamanho A3, serão espalhados pelas paredes e vendidos a preços acessíveis, mas apenas 5% deles revelarão um desenho da artista."Eu já vendi bastante coisa, longe de ser quase tudo que produzi, mas não entendo por quê: será que as pessoas acham que sou jovem e isso irá se valorizar com o tempo ou realmente gostam do que faço?" As "raspadinhas" poderão ser raspadas no vernissagem.

Texto de Thaís Rivitti
A exposição de Guga Szabzon na Galeria Transversal, “Raspadinha”, apresenta obras aparentemente idênticas. Os trabalhos são fixados diretamente nas paredes da galeria e mostram apenas um retângulo cinza central que ocupa grande parte do papel que lhes serve de suporte. À primeira vista, estamos diante de pinturas monocromáticas. Contudo, a tinta cinza nos leva para fora do campo artístico, pois trata-se do mesmo material usado em jogos de loteria instantânea, conhecida como raspadinha.

Tal como acontece nas raspadinhas, os papéis expostos também podem ser raspados pelas pessoas que se interessam em adquirir o objeto, a venda por R$ 100,00 cada. A venda acontece em uma mesa instalada no espaço expositivo e faz parte da ação proposta pela artista que realiza, no dia da abertura, uma espécie de happening na galeria que representa seu trabalho. Cerca de 5% dos trabalhos apresentam, por baixo da tinta cinza, uma imagem feita pela artista. O restante dos trabalhos não têm nada por baixo da tinta cinza.

Ao relacionar a compra de um trabalho de arte ao universo das apostas de sorte, a artista cria um paralelo cheio de ironia entre os dois. A ação pode ser entendida como uma resposta da artista ao fato do campo da arte estar cada vez mais colonizado pela lógica do investimento financeiro. Sabe-se que o grande sucesso do colecionador que entende arte apenas como investimento acontece quando ele começa a colecionar determinado artista antes de ele se tornar amplamente conhecido. Assim, essas obras, compradas a preços módicos, sofrem uma valorização gigantesca, tão logo a carreira do artista entra em ascensão.

Mas, longe de ser uma ação de protesto ou repúdio ao mercado, a ação proposta por Guga é repleta de ambigüidades: será que os trabalhos “premiados” valem mais que os outros? Ao adquirir um trabalho da artista por R$ 100,00 (preço bastante inferior ao seu valor de mercado) o participante-investidor está aderindo à especulação, ou se colocando contra ela? Ao raspar o quadro cinza o público está construindo ou destruindo o trabalho da artista? Todas essas questões são avivadas pela exposição “Raspadinha” que chama a atenção para o funcionamento do mercado da arte, ao mesmo tempo em que coloca responsabilidades decisivas nas mãos do comprador-visitante que é quem decide como se posicionar em relação a ele.

A exposição é acompanhada por textos da crítica de arte Thais Rivitti que, incorporando a lógica do jogo proposta pela artista na mostra, escreveu três diferentes caminhos de interpretação para o trabalho. Os textos, que também aparecem velados no folder, deixam para o público a tarefa de descobri-los (ou não), compará-los e talvez perceber que a reflexão sobre um trabalho de arte é um processo de construção lento, polissêmico e cheio de nuances. Uma posição bem distante da função de legitimação que muitas vezes se espera de um crítico de arte.

Galeria Transversal
Horário de funcionamento: terça a sexta das 11h às 20h, sábado das 11h às 18h.
Rua do Bosque, 206 - Barra Funda
11 33925287

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