Por Armando Coelho Borges
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O comediante Joe E. Lewis (1902-1971) foi um dos cômicos que se apresentava sozinho no palco e podia fazer show de hora e meia contando histórias e dizendo piadas. Havia muitos como ele nos Estados Unidos. Aqui, no Brasil, me ocorre o nome de Jo Soares e José Vasconcellos, que integrariam uma seleção mundial do gênero.
Joe E. começou a vida como cantor. Mas se meteu com a Máfia que lhe ‘operou’, digamos, as ‘amídalas’ e danificou suas cordas vocais. O episódio (real) aconteceu nos Anos 20, e mais tarde Frank Sinatra fez um filme aonde cantava a canção “All The Way’, que ganhou o Oscar e ficou muito mais famosa que o filme (esse, merecidamente, esquecido).
Sinatra e Joe E. eram muito amigos. Certa vez, em um daqueles momentos pouco freqüentes em que conversava com jornalistas, num bate-papo informal, Frank dizia, mostrando humildade:
- Não acho que sempre andei certo. Nas discussões, nem sempre tive razão.
- (Lewis ‘piscando’ o olho à imprensa). Anotem, rapazes. Isso parece um “furo” de reportagem.
Sem dar bola para a interrupção, Frank seguiu dando um exemplo. “Foi o que aconteceu quando tentei comprar aquele hotel em Los Angeles, só por que não deixaram meu helicóptero pousar no telhado”.
- O episódio mostrou que eu estava sendo inseguro e pueril – disse Frank.
- Só mostrou que você estava de porre – arrematou Joe E.
Sinatra contra-ataca
Numa outra vez, foi o cantor que passou ao ataque. Assistindo a uma apresentação do comediante, Sinatra gritou-lhe, de sua mesa, para que todos ouvissem:
- Êi, Joe. Escuta aqui. Por que nunca vejo você sóbrio no palco? Não tem respeito ao seu público?
- Que quê? No show de ontem, cheguei a ficar sóbrio quatro vezes ...
Aguentando firme
Quando Sinatra se preparava para interpretá-lo no cinema, Joe E. enviou caixa de bourbon com o bilhete:
- Comece a ensaiar.
Lewis gostava de carreiras. Sua fama de beberão só perdia para a de jogador. Nas suas apresentações em night-clubs ele se desculpava: “Realmente, eu tenho uma queda pelos cavalos.” E fazendo uma pausa: “Só que os cavalos que eu tenho queda, vão sempre atrás dos outros cavalos”.
(Isso lembra a frase do general, governador, deputado-federal do Rio Grande do Sul, Flores da Cunha, inquirido sobre o sumiço de sua fortuna: “Cavalos lentos e mulheres rápidas” – foi a resposta).
Mais frases de Joe E. Lewis
“Ninguém está de porre enquanto ficar deitado no chão, agüentando firme”.
“Meu médico advertiu-me que se eu não parar de beber, morrerei. Disse-lhe que conheço mais velhos bêbados do que médicos velhos”.
“Meus médicos olharam meu estômago, minha bexiga, me viraram de lado e do avesso na mesa dos exames. E depois receitaram: eu preciso de óculos’.
“Sempre que me perguntam se quero água no meu uísque, respondo que tenho sede, mas estou limpo”.
Não confio em camelos. Nem nas pessoas que ficam uma semana sem beber”.
“Não importa que seja rico ou pobre. Desde que tenha dinheiro”.
“Muitos conseguem dizer a coisa certa, no tempo exato, para as pessoas erradas”
“Eu bebo, para esquecer eu bebi”.
“Se quiser transformar amigo em adversário, faça-lhe um favor”.
“A única coisa que o dinheiro não compra é a pobreza’.
“Um amigo necessitado ... Puxa vida! É dose tripla”
Quando o disc-jockey da boite Copacabana, em Manhattan, abandonou o cargo e foi para Chicago fazer artes plásticas, Joe E. Lewis explicou aos freqüentadores a sua ausência:
- Jack Eigen foi forçado a afastar-se devido a um ataque súbito de decência e bom gosto.
Joe E. Lewis morreu em 4 de junho de 1971, em Nova York, com problemas agudos no fígado, rins e diabetes. Durante o velório e o cortejo fúnebre, ouviam-se risos, divertidos e sussurrados. Impossível evitar as lembranças de suas histórias, anedotas e tiradas. Foi uma alegria geral.