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Trem Cruzeiro do Sul, que levava passageiros entre Rio e São Paulo - Blog do Armando
Por Armando Coelho Borges
acb@livingalone.com.br
Para pensar, comer e tomar nota.
Por que soy contra el trem-bala
Se tivéssemos nadando em dinheiro, até que brincar de trenzinho-bala poderia ser divertido. Mas, cá pra nós, há coisas mais urgentes e decisivas para arrumar na nossa infra-estrutura. Um bólido ligando grandes centros do país, imaginem quanto não vai correr de bola pelos trilhos e obras conexas.
Quando vim para São Paulo, em 1978, já se fazia, há bastante tempo, de trem-noturno, o percurso entre as duas capitais, Rio e São Paulo. Era chamado de ‘trem-pullman’, ‘Santa Cruz’ (de Luxo), ou ‘trem de aço’ como também ficou conhecido. Você saía às 23 horas e chegava ao destino às 8h30 da manhã.
As cabines eram confortáveis e a posição variava, no sentido longitudinal e transversal. Isso era importante porque que, em curvas, a pressão do corpo deitado podia mexer o corpo dos passageiros mais leves. Havia nas cabines kit com pequeno banheiro, vaso sanitário e pia de aço. Houve tempo em que tinha um bar, em vagão especial, próximo do carro-restaurante. As janelas na cabine mostravam postes, árvores e paisagem ao fundo. Nas horas noturnas, normalmente os postigos ficavam fechados. Mas, com o amanhecer, bonito espetáculo proporcionado pelos raios de sol.
Descubra os prazeres do ‘sugaki’
O sugaki é a salada de ostras, que, em geral, é servida com nabo bem ralado, pepino em fatias finas, pimenta picante, molho ‘ponzu’ de sabor cítrico (limão e shouyu) com as ostras cruas nadando leves e soltas numa tigela. O grande flautista francês, Jean-Pierre Rampal, apreciador da cozinha japonesa, se pudesse – dizia - comeria todos os dias sugaki. Em São Paulo, na Liberdade, Rua da Glória 148, o Restaurante SENDAI (fone 3241-1129 3241-0220) prepara excepcional sugaki nos almoços e jantares (fecha domingo), pelas mãos do chefe Hideki (Ricardo), servido por sua mãe Junko Omura.
E há mais. Há pouco inaugurado, em São Paulo, o Restaurante SHINJUKU inovou na matéria. Seu sugaki traz no prato raso seis ostras cruas, nas conchas, mas soltas, cobertas, aos pares, por ovas de salmão e de peixe voador, gema de ovo de codorna e caviar. Misture, se preferir, o wasabi, com borrifo de shoyu. O resultado é aliciante. Gratifica o paladar. Nem precisa adicionar limão ou sal. Sorva as ostras, como o compositor Ígor Stravinski fazia, com sons de abafar a “Sagração da Primavera”. Não esqueça de sorver o líquido na concha até o último gole que vem com gosto de mar.
O renomado mestre Shundi Kobayashi e seus assistentes não tem mãos a medir nessa casa da rua Mário Ferraz 37, vizinha de Clube Pinheiros, no Jardim Europa. O telefone é 3034-3125. Aberto toda a semana. Sua sócia, a jovem Cecília Ribeiro cuida com carinho e arte das sobremesas.
As instalações são confortáveis, o serviço atento, e pode-se ser contemplado, na entrada-gentileza, de um ‘ceviche’ de primeira. Bons saquês japoneses. Cardápio variado, com ênfase tanto nos pratos frios como nos quentes. O caldo de (missoshiro), servido em porcelana pequena e delicada, também é ótimo.
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SOBRE O AUTOR
Armando Coelho Borges, gaúcho, está em São Paulo desde 1978. Em Porto Alegre fez coluna diária no caderno de Variedades do jornal Zero Hora, mesclando comidas e bebidas com música, cinema, esporte e atualidades. Em São Paulo, colaborou na revista CartaCapital, fazendo a seção "Secos e Molhados". E assinou reportagens sobre vinho na França, destacando o grande enólogo Emile Peynaud. Abordou o panorama do azeite em Portugal, participou da entrevista com a grande figura do vinho do século 20 na Itália, o jornalista Luigi Veronelli, um dos responsáveis pelo soerguimento da vitivinicultura italiana. Na revista Gula, discorreu sobre comidas na obra de Erico Verissimo e o vinho na Bíblia. Na editora Abril colaborou no Guia Quatro Rodas feito para a Telefônica, comentando 15 adegas de restaurantes no Brasil e 15 na cena internacional. Para Veja São Paulo fez crítica semanal assinada de restaurantes e, na edição anual da revista, verbetes isolados e hipertextos da culinária servida na cidade. Entre eles, o que citava a ira do cineasta espanhol Luis Buñuel, jogando a paella sobre o tapete aos convidados brasileiros, que foram às compras, esquecendo da hora em que serviria o prato.
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