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Vista da Villa Leopolda, em Côte-d'Azur. - Blog do Armando


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Nomes de prédios

Por Armando Coelho Borges
acb@revistaalone.com.br


Os edifícios precisam ter nome. Eu não tenho certeza se é exigência de lei ou se cada lançamento imobiliário inventa nome para ajudar o marketing. No passado, algumas residências também ganhavam títulos na fachada principal, chamando-se, por exemplo: ‘Villa Margarida’, ‘Villa Lygia’, ‘Villa Eudoxia’ – quase sempre em homenagem à dona da casa que construiu e habitou.

O exemplo veio da famosa residência chamada ‘Villa Lepolda’(com ‘a’ mesmo), mansão da comuna francesa de Villefranche-sur-Mer, na Côte d’Azur.  É considerada a casa mais cara do mundo. A ‘Villa Leopolda’ já teve proprietários famosos como o rei belga Leopoldo II e o magnata italiano Gianni Agnelli, esse, por sinal, dava festas que reuniam socialites internacionais e que contavam entre as atrações, Winston Churchill, Ronald Reagan e Frank Sinatra. Nos últimos tempos, a proprietária de ‘La Leopolda’ foi a brasileira dona Lily Safra, viúva do financista internacional, Edmond Safra, que era brasileiro naturalizado. A mansão quase foi vendida ao empresário russo Mikhail Prokhorov, mas complicações escriturais e econômicas levaram o ex-soviético e desistir do negócio. Por decisão da Justiça de Nice, ele perdeu o ‘sinal’ de entrada que dera à dona Lily.

A ‘Villa Leopolda’, construída no estilo ‘belle époque’, ocupa área de 80000 de m², cercada de bosques e jardins onde estão plantadas mais de mil oliveiras e árvores frutíferas. Como sei? Não precisei ir lá, bastou clicar a ‘Wikipédia’.

Mas seguindo com o nome dos edifícios. Basicamente - diz a lei - nenhum prédio público pode ter nome de pessoa ainda viva.

Para os edifícios civis, vamos chamar assim, qualquer nome serve. Desde os mais poéticos aos mais rebarbativos.   Por exemplo, já imaginaram edifício chamado ‘Château Rasputin’? Quem gostaria de morar nele? Se ainda fosse ‘Château Rasputin’, tinto das estepes russas, safra 1917, vá lá ...

Edifício ‘Mata Hari’, outro que provocaria problemas. O síndico pode achar que estão se referindo a mulher dele (espia a vida de todo mundo).  Pensem em um nome altaneiro, quem sabe edifício ‘Osama nas Alturas’? Até que soa bem, posto que dúbio.  E quem aceitaria morar no edifício ‘Denúncia Vazia’, alugado só para inquilinos por proprietários sádicos?  O prédio ‘Horizonte Perdido’ (título inspirado em livro e filme do mesmo nome) teria conotação de paisagem que ficou tapada pela construção de espigão em frente. Era originalmente ‘Belo Horizonte’, mas os moradores alteraram para não perder a piada e denunciar quem na prefeitura liberou a obra. 

‘Nomes do outro mundo para prédio’
Para ver que esse assunto interessa aos mais capazes, cito Roberto Macedo, economista (UFMG, USP e Harvard) e vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, que, em sua coluna no Estadão, de 06/05/2010, escreveu que há nomes de edifícios para todos os gostos.

Ele acha que estudantes de graduação e pós-graduação poderiam pesquisar as razões e motivações dessas denominações de edifícios. Oferece uma busca aleatória que fez em dois fins-de-semana sobre os novos edifícios anunciados nos jornais. Encontrou 24 edifícios com nomes em português, e 40 (!) com nomes estrangeiros, sendo 17 em inglês, 13 em francês, 8 em italiano, um em grego e outro em espanhol.

Roberto Macedo preocupa-se pela demanda de nomes estrangeiros, pois estaria a revelar certa insatisfação com o país e a cidade onde vivem os seus compradores, que se ‘refugiam’ em edifícios “cujos nomes lhe dariam alguma sensação de viver noutro e melhor mundo”.

Torre de Babel
Desde os tempos bíblicos, os homens namoravam erguer ‘arranha-céus’ que fariam Bin Laden ficar com água na boca. O Criador, que não estava gostando daquela incorporação que vinha roçar nas suas nuvens, decidiu lançar chuva de dialetos que acabaram na maior confusão, pondo pra correr os supervisores e operários, interditando a obra da qual não restou pedra sobre pedra. Todo mundo se mandou. Incompatibilidade e falta de comunicação era maior que em filme de Antonioni e Bergman juntos.

Mas nem por isso ‘BaBel’ deixa de ser bom nome para uma incorporação. Como ‘Colosso de Rodes’, ‘Jardim das Delícias’, ‘Farol do Fim do Mundo’, ‘Também o Cisne Morre’, ‘Morro dos Ventos Uivantes’, ‘Tudo Isso e o Céu Também’, ‘Minha Luta’, ‘Decameron’, ‘Sodoma’, ‘Gomorra’(lançamentos gêmeos), ‘Solar do Marquês de Sade’, ‘Frutas Vermelhas’ (com adegas para apreciadores de vinho), ‘Sinfonia Inacabada’ e, para pegar leve e nostálgico, ‘Melhores Anos de Nossas Vidas’. 

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SOBRE O AUTOR
Armando Coelho Borges, gaúcho, está em São Paulo desde 1978. Em Porto Alegre fez coluna diária no caderno de Variedades do jornal Zero Hora, mesclando comidas e bebidas com música, cinema, esporte e atualidades. Em São Paulo, colaborou na revista CartaCapital, fazendo a seção "Secos e Molhados". E assinou reportagens sobre vinho na França, destacando o grande enólogo Emile Peynaud. Abordou o panorama do azeite em Portugal, participou da entrevista com a grande figura do vinho do século 20 na Itália, o jornalista Luigi Veronelli, um dos responsáveis pelo soerguimento da vitivinicultura italiana. Na revista Gula, discorreu sobre comidas na obra de Erico Verissimo e o vinho na Bíblia. Na editora Abril colaborou no Guia Quatro Rodas feito para a Telefônica, comentando 15 adegas de restaurantes no Brasil e 15 na cena internacional. Para Veja São Paulo fez crítica semanal assinada de restaurantes e, na edição anual da revista, verbetes isolados e hipertextos da culinária servida na cidade. Entre eles, o que citava a ira do cineasta espanhol Luis Buñuel, jogando a paella sobre o tapete aos convidados brasileiros, que foram às compras, esquecendo da hora em que serviria o prato.
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