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O Poder dos Quietos

O poder dos quietos, da americana Susan Cain, lançamento da Editora Agir, já é um dos livros mais vendidos do país, aparecendo em listas como as dos jornais Folha de S. Paulo (2º lugar), O Estado de S. Paulo (3º), Valor Econômico (1º) e da revista Veja (6º). A obra mostra que a introversão é ingrediente fundamental para a criatividade e a inovação. Embasada por estudos científicos, além de ter realizado um extenso trabalho de pesquisa, a autora afirma que nossa sociedade vem transformando escolas e escritórios em instituições dedicadas a extrovertidos — arquétipo que tem se revelado um grande desperdício de talento, energia e felicidade. A edição brasileira conta com uma apresentação do escritor e administrador de empresas Max Gehringer.

O sistema de valores contemporâneo segue a crença de que todos precisariam se sentir confortáveis sob a luz dos holofotes. A introversão vem sendo encarada como um traço de personalidade de segunda classe, praticamente como uma patologia. O temperamento extrovertido é atraente, mas, segundo Susan, foi transformado em um padrão opressivo que muitos, mesmo contra sua própria essência, se acham obrigados a adotar. O que o leitor descobre em O poder dos quietos é que está cometendo um erro grave ao abraçar esse ideal. Algumas das maiores ideias humanas — da teoria da evolução aos girassóis de Van Gogh e os computadores pessoais — vieram de pessoas quietas que sabiam como se comunicar com seus universos interiores. Sem os introvertidos não haveria a teoria da relatividade, os noturnos de Chopin, o Google.

Tal ponto de vista surge fundamentado pelas mais recentes pesquisas nas áreas da psicologia e da neurociência, que têm apresentado ideias iluminadoras: os introvertidos, por exemplo, sentem-se confortáveis com menos estímulo, como quando resolvem palavras cruzadas ou leem um livro; já os extrovertidos gostam da vibração extra de atividades como conhecer pessoas novas e esquiar em montanhas perigosas.

Na primeira parte do livro, Susan trata justamente do “Ideal da Extroversão”, abordando o poder do trabalho solitário e o mito da liderança carismática. A questão do que chamamos de “temperamento” surge como ponto central do módulo seguinte, que, ao mostrar que introvertidos e extrovertidos pensam e processam dopamina de maneiras distintas, envolve biologia e estudos de personalidade. Já na parte três o assunto recebe um olhar cultural em um debate que envolve amor, trabalho e educação — sempre por meio de uma acurada e delicada observação do dia a dia.

Em momento algum, no entanto, Susan Cain condena a extroversão. Seu objetivo maior é chamar a atenção para a necessidade de uma estrutura social que contemple ambas as personalidades e respeite as diferenças entre elas. Assim com acontece com outros opostos complementares, a humanidade seria irreconhecível sem a divisão entre introvertidos e extrovertidos. Poetas e filósofos têm pensando sobre o assunto desde o início dos tempos, sendo que os dois tipos aparecem na Bíblia e em escritos da antiguidade clássica. O poder dos quietos, assim, leva o leitor, seja ele introvertido ou extrovertido, a se aprofundar no comportamento humano e mudar a maneira pela qual enxerga a si mesmo.

O poder dos quietos
Autora: Susan Cain
Tradução: Ana Carolina Bento Ribeiro
Editora: Agir
Número de páginas: 360
Preço de capa: R$ 29,90

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