por Daniela Junqueira
Ir à Grécia foi a melhor coisa que fizemos. Éramos três casais: Paulo e Fifa, Carlos Augusto e Adriana, Luiz Eduardo e eu. Todos amigos de longa data, ótimos companheiros de viagem.
Chegamos a Atenas e, como tínhamos apenas um dia na cidade, fomos ´voando´ até a Acrópole. Andar por uma cidade moderna (reformada para as Olimpíadas de 2004) e, de repente, deparar com uma construção histórica monumental, construída entre 450 a.C. e 330 a.C., como o Partenon, lá no topo, é de perder o fôlego. Só essa visita já vale a passagem pela capital grega. Mas não só. Plaka, o bairro central, é daqueles lugares que nos surpreendem. É um mix de Jardins com Praça Vilaboim: charmoso, com ruas estreitas e arborizadas, diversas lojinhas cheias de bugigangas e bares com mesas na calçada. Foi lá que começou nosso relax grego. Sentamos para uma cerveja Mythos gelada, deliciosa!
Na primeira noite uma lua enorme fazia um lindo reflexo no mar. Maravilhosa. Jantamos num restaurante rústico à beira do cais, o Plous Podilatou. Entre uma suculenta lagosta e várias taças do inesquecível vinho branco grego Adoli Ghis, a conversa rendeu até de madrugada. No táxi da volta nos divertimos com o bom humor do motorista, coisa rara por lá, pois eles têm a maior fama de grosseiros. Lembro-me perfeitamente daquela lua e de irmos cantando até o hotel: "Viver e não ter a vergonha de ser feliz/Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz..."
PÔR-DO-SOL DOS DEUSES
No outro dia, é claro que acordamos bem atrasados para a ida a Santorini. Quase perdemos o vôo da Aegean Airlines, companhia doméstica grega. Quando desembarcamos na ilha, me senti em uma cidadezinha de filme de faroeste. Aeroporto pequeno no meio de um terreno árido, só com terra batida em volta. Aos poucos, a paisagem e a atmosfera gregas foram nos envolvendo.
Santorini é uma ilha vulcânica com penhascos impressionantes que despencam no mar. Incrustados neles (cavados na rocha, mesmo) estão centenas de casinhas caiadas de branco, hotéis, pousadas, igrejas ortodoxas e restaurantes, estes espalhados pelo alto da falésia.
O lugar é cheio de história. Dizem que Atlântida, a cidade perdida, ficava lá. É que Santorini foi formada pela erupção vulcânica mais poderosa da história. O vulcão causador desse fenômeno, quase submerso, fica em frente à ilha. É atração para turistas que vão de barco visitar sua cratera.
Ficamos em Oia (pronuncia-se ´ia´), na ponta da ilha, região com lojas, bares e restaurantes sofisticados a dez quilômetros de Fira, a capital. Oia, além de ser o vilarejo mais bonito da ilha, tem fama de abrigar o pôr-do-sol mais lindo do mundo. E deve ser mesmo. Lá pelas 8 da noite o céu vai ficando vermelho. À medida que o tempo passa, tons de roxo, rosa e lilás vão aparecendo. Como Oia fica numa encosta mais de 300 metros acima do nível do mar, dá para imaginar o visual do sol mergulhando no mar Egeu com a silhueta do vulcão ao fundo.
MÚSICA E VINHO
A trupe se hospedou no hotel Canaves Oia. Os quartos têm uma vista lindíssima para o vulcão, e o contraste da arquitetura branca com o azul indescritível do mar é coisa de louco. Basta apreciar aquele visual uma única vez (seja do mar ou do ar): a gente nunca mais esquece. Era com ele no horizonte que tomávamos o café-da-manhã. Imagina?
Alugávamos scooters e passávamos o dia nas praias. Perissa e Perivolos são duas das que conhecemos, bem diferentes das que estamos acostumados a ver no Brasil. Têm areia escura, por causa do solo vulcânico. À noite, ficávamos no hotel. No quarto tínhamos uma minicozinha, onde o Paulinho preparava deliciosas massas com lula e mariscos. Na varanda, tomávamos vinho grego ouvindo música (também grega), curtindo a paisagem e dando altas gargalhadas! Verdadeiro espírito de felicidade!
Na última noite, conhecemos um lugar gostoso para jantar, o Ambrosia and Nectar. É um restaurante superintimista, iluminado por luz de velas e especializado em comida mediterrânea. Fechamos a temporada com chave de ouro.
A ILHA DA MODA
Pegamos, então, no porto de Santorini, um daqueles barcos que percorrem as ilhas gregas. Fomos para Mykonos, numa jornada de duas horas. Das três mil ilhas da Grécia, Mykonos é, de longe, a da moda, a mais badalada. É cheia de ruelas e becos, verdadeiros labirintos com calçamento de pedra. As vielas são repletas de cafés, bares, restaurantes e lojinhas de artesanato, jóias, além das casinhas brancas com abóbada azulada. As praias são impressionantes. Têm areia clara, água morna e cristalina, transparente. Paradisíacas.
Ficamos no hotel Belvedere, badalado, bem localizado, o mais cool da ilha e que serviu de cenário para o catálogo da Victoria Secret. Nele funciona o célebre restaurante japonês Nobu. E o sexteto se tornou amigo de Nicola, o proprietário do hotel. É um cara jovem, divertido, apaixonado pelo Brasil e pelos brasileiros, de tantos que já conheceu. Com as dicas que ele nos presenteou, valiosíssimas para quem quer conhecer lugares diferentes, vivemos o melhor da ilha.
Conhecemos Paraga Beach, onde comemos num restaurante rústico e delicioso, o Nicola Tavern. Passamos pela Kalo Livadi, praia semideserta e de nudismo, divertidíssima! Em Ágios Sostis, outra praia lindíssima, paramos no Kiki´s Place. É um restaurante sem placa, sem telefone e sem energia elétrica. Mas com mesas charmosas embaixo de uma enorme parreira. Incrível!
GANDAIA TOTAL
A praia Paradise é uma festa só. Tem música bombando 24 horas por dia. No cair da tarde, a galera vai se empolgando, bebendo... Muitos sobem nas mesas dos bares, tiram a roupa, o clima esquenta. Na praia mais badalada do momento, a Psarou, ficam os grandes barcos, as pessoas mais bonitas, gente famosa e restaurantes caros.
Para um típico jantar grego fomos ao Sea Satin Market, à beira-mar, a céu aberto, embaixo dos famosos moinhos The Little. Saboreamos um menu-degustação divino com todos os tipos de comidas gregas. É o lugar para se experimentar o que a Grécia tem de melhor. Tomamos ouzo, a bebida nacional, fortíssimo destilado transparente de uva com anis. Depois de alguns shots naquele ambiente regado a música grega, começamos a dançar (assim como tantos outros) em cima da mesa com ramos de arruda atrás da orelha. Empolgados com a balada, ainda seguimos para o bar Caprice, à beira-mar, com mais dois amigos brasileiros que (quase) moram lá, Fabio e Kimon. A gandaia só terminou depois de o dia raiar.
Como chegar:
Não há voo direto do Brasil para a Grécia. A maioria das linhas aéreas europeias, no entanto, voa para Atenas.
Onde ficar:
Hotel Belvedere, em Mykonos (www.belvederehotel.com); Hotel Canaves Oia, em Santorini (www.canaves.com)
Onde comer: Plous Podilatou (www.plous-podilatou.gr); Ambrosia and Nectar (www.santorini-gr.com/ambrosia.htm); Caprice Bar (www.caprice.gr)