(Redação)
Foto: Pedro Ribeiro Simões
Nos anos 1960, enquanto as liberdades no Brasil eram restritas por causa das medidas tomadas pelo regime militar no país, a população portuguesa também sofreu com a mão pesada do governo. A ditadura em Portugal, no entanto, começou bem antes do autoritarismo baixado por aqui em 1964. O golpe que instalou uma liderança de inspiração fascista em Lisboa ocorreu em 28 de maio de 1926, tendo assumido o poder o General Oscar Carmona. O cenário que favoreceu os militares foram os problemas que passaram a afetar todo o continente europeu após a Primeira Guerra Mundial e a Crise Econômica de 1929, comprometendo o emprego, a qualidade de vida da população e a economia dos países.
Em 1933, uma nova constituição é aprovada e o controle do governo de Portugal passa às mãos do então ministro da Fazenda, Antonio de Oliveira Salazar, que obteve êxito no aumento das receitas do país ao realizar profundos cortes nos gastos públicos, principalmente nas áreas de saúde, educação e funcionalismo. O equilíbrio nas contas serviu à promoção do seu nome, alçando-o praticamente a um nível de salvador da pátria na inauguração de um período que ele mesmo batizou de Estado Novo.
Em contrapartida, o relacionamento do governante português com a população em geral se desgastou ao longo do tempo diante de uma postura que vetava a disseminação de ideias contrárias à dita ordem. A constituição logo censurou a imprensa, o direito de greve e as diversas manifestações culturais, como livros, programas de TV ou rádio e peças de teatro. Também foi criada uma polícia com a finalidade de reprimir "crimes políticos", inclusive por meio de tortura. No plano internacional, o ditador relutou em manter as colônias portuguesas na África, movendo esforços de soldados nos combates em Angola, Guiné e Moçambique, ao mesmo tempo em que outras nações europeias seguiam a tendência de abandonar os territórios.
Os cravos
Salazar acumulou os cargos de ministro das Finaças, da Guerra e dos Negócios Estrangeiros, permanecendo no poder, enfim, até 1968, quando após uma queda sofreu lesões cerebrais. Em seguida, foi substituído por Marcelo Caetano, deposto por um golpe militar realizado em 25 de abril de 1974, apoiado principalmente por estudantes e trabalhadores insatisfeitos com a situação socioeconômica que já não era das melhores.
O cravo vermelho passou a símbolo da revolução quando, no nascer do dia, as pessoas começaram a se reunir nas ruas solidárias com os soldados, entregando-lhes cravos vermelhos. Uma das versões para o episódio é que uma florista contratada por um hotel para montar a decoração de uma festa no local teria sido vista por um soldado, que colocou o primeiro cravo na ponta do cano da espingarda. O gesto, então, teria sido repetido pelos seus companheiros.
Hoje, o dia 25 de abril é feriado em Portugal.
Ecos no Brasil
O tema da liberdade em Portugal encontrou boa receptividade em um Brasil que vivia o regime militar. Confira os vídeos.
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